quinta-feira, 14 de abril de 2016

O ECLIPSE POLÍTICO

Eclipse - substantivo masculino - Obscurecimento moral ou intelectual; desaparecimento. in, Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Partindo desta definição de eclipse será fácil entender o que aconteceu a Catarina e Jerónimo nos últimos meses.
 
O silenciar repentino, o desaparecimento das parangonas, o adormecimento na defesa das "causas" do BE e do PCP, mais que tudo, tem uma razão de ser:
Garantir uma "paz podre" que permita estabilidade governativa, não por "amor à causa" do governo, mas para impedir qualquer cenário que possa viabilizar eleições antecipadas e um hipotético regresso da direita portuguesa ao poder. Este é o grande objectivo de Catarina, Jerónimo e companhia - evitar governos de direita!

Em condições de "saúde" normais, os últimos tempos seriam de êxtase para a habitual verborreia do BE e PCP. Mas o eclipse que atingiu este quarto de lua parlamentar mostra-nos a subserviência pela qual optaram viver politicamente.

Depois da tomada de posse do governo houve uma  visibilidade natural dos agora eclipsados, para congratularem-se com as reversões, anulações e reposições implementadas para satisfação generalizada de gregos e troianos.

Com a chegada da campanha das presidenciais começou a fase do eclipse. Inicialmente parcial, mas claramente com sinais que iria ser total. Os resultados dessas eleições vieram confirmar o eclipse. Mais, o agrément mútuo e cordial entre PS e o recém-eleito Presidente da República, típico dos inícios de namoro, retirou o resto de moral política que restava ao BE e PCP.

Desde aí, foi o desaparecimento total!

Vejamos alguns exemplos que, se fosse um governo de direita, já teriam provocado a ira dos eclipsados, dado azo a capas de jornais, fomentado campanhas "espontâneas" nas redes sociais, e talvez uma ou duas manifestações populares;

- Conselho de Estado com os convidados Mário Draghi (BCE) e Carlos Costa (BdP): Não estivesse Francisco Louçã (O Engravatado) como conselheiro de Estado, e as frases da ordem seriam "É uma afronta à soberania nacional a presença do presidente do BCE, instituição que tanto mal fez aos portugueses nos últimos 4 anos" ou "Claramente uma submissão do Sr. Presidente da República ao poder capitalista e imperialista da banca e da finança". Mas em nome das causas de esquerda, agora está tudo bem.

- Caso "Bofetadas Salutares" de João Soares: Imaginemos um qualquer ministro da direita portuguesa (PSD ou CDS-PP) escrever no seu perfil de facebook, um post onde oferecia um par de "bofetadas salutares" a um qualquer cronista ou jornalista. No mínimo, Catarina, Jerónimo e companhia apelidariam de "fascismo", "censura", "prepotência" e, naturalmente, pediriam a demissão imediata! Uns suaves laivos de crítica foi tudo o que se ouviu... e apenas do BE.

- Demissão de João Wengorovius Meneses: Se algum secretário de Estado do anterior governo se demitisse por estar "em profundo desacordo com o modo de estar no exercício de cargos públicos" do seu ministro, o «SOS Indignados» que costumavam ser BE e PCP, já teriam exigido(!) uma comissão parlamentar para esclarecer o significado de tais palavras. Já teriam feito um ultimato ao ministro para que pudesse esclarecer o parlamento sobre o que se passou. Agora? Um eclipse total!

- Colégio Militar e demissão do CEME: Reconheço que BE e PCP não costumam dar muita atenção aos assuntos que envolvem as Forças Armadas. Mas não me parece que perante um "bombom" desta natureza, caso a tutela fosse liderada por um "imperialista de direita",  deixaríamos de ouvir Catarina e Jerónimo. "Um abuso discriminatório da autoridade militar", "ingerência ministerial" ou algo muito semelhante, teriam sido as palavras de ordem. Nos tempos que correm, nem audições ao ministro aprovam. Para a história ficam apenas as declarações de Vasco Lourenço, esse pai da democracia portuguesa.

- Diogo Lacerda Machado, a.k.a., The New Carlos Santos Silva: Apesar de algumas críticas iniciais, o fulgor de outrora desapareceu dos combativos camaradas bloquistas e comunistas. Por esta altura, caso fosse um governo de direita, já Manuel Tiago ou Mariana Mortágua teriam vindo apresentar uma compilação das ligações "estranhas" entre Lacerda e o estado. Já estaria em marcha o discurso oficial sobre os "boys da direita". A criatividade já tinha feito uma campanha gráfica nas redes sociais intitulada "Lacerda Papers". Agora é só picar o ponto ao de leve, não vá alguém achar que o governo pode cair.

- Elisa Ferreira: Ao que parece, já houve elogios pela escolha de Elisa Ferreira para o BdP, vindas de todos os quadrantes políticos. Ao que chegámos.... Pois fosse Elisa uma qualquer deputada europeia e economista, que fizesse parte desses "capitalistas políticos do PPE", indicada por um qualquer "governo explorador de direita", e já haveria novos tumultos na política portuguesa. Acusações de "querer controlar partidariamente o regulador" seriam as capas de jornais citando as declarações de Catarina e/ou Jerónimo. Mas os tempos não são para isso. Agora, todos (excepto Maria Luís Albuquerque) são honestos e isentos.

Em suma, BE e PCP venderam a alma política, não ao diabo, mas a António Costa.
 
O preço?
O eclipse político total, o abandono das causas, o silenciar dos protestos. 
 
A recompensa?
Um governo que não seja de direita.

Os danos colaterais?
A CGTP e o seu líder (aquele que disse de Abebe Selassie ser o "rei mago escurinho") que já não organiza tantas passeatas por Lisboa.
 
O brinde?
A comunicação social com a ausência de manchetes que possam  equacionar um cenário de eleições antecipadas.
 
A dúvida?
Quanto tempo aguentarão o eclipse, quanto tempo conseguem viver na caverna política?


terça-feira, 1 de março de 2016

É P'RÓ MENINO E P'RÁ MENINA

Quando uma sociedade se rege por "princípios" de "igualdade" e "não discriminatórios", fundamentados em teorias pseudo-intelectuais e em "moralidades" que mais não são do que hipocrisias e demagogias utópicas disfarçadas de comportamentos politicamente corretos, algo vai mal. 

E pior é quando assistimos ao aplauso de uns e à submissão de outros a estas políticas e comportamentos.

Vem isto a propósito da notícia que nos dá conta de que os Happy Meals da cadeia McDonalds vão deixar de ser para o "menino" ou para "menina".

Há algum mal nesta decisão? Nenhum. Até concordo com a opção da empresa. Não teria mal nenhum se fosse por opção estratégica de marketing, por opção financeira, ou por simples capricho dos decisores da empresa.


Mas não. É tudo em nome do hipocritamente correcto. A própria empresa subjuga-se ao hipocritamente correcto dizendo que "tendo analisado a situação, reconhecemos que esta situação pode ser mal interpretada e no futuro usaremos outra forma verbal de modo a certificar que não estamos involuntariamente a influenciar a escolha e variedade de brinquedos dos nossos jovens clientes."

E o aplauso alucinado e hipocritamente correcto não tardou. Da parte do governo, a Secretária de Estado da Igualdade diz que "Não há brinquedos de menino e de menina. Aquilo que se lê naqueles questionários e a prática de dividir brinquedos por sexo é uma atitude discriminatória que reforça os estereótipos de género. Obviamente não podemos [o governo] concordar com essa discriminação."

Não deve tardar que outros paladinos da moralidade e defensores da liberdade de todos, desde que seguida pela cartilha que defendem, venham aplaudir e clamar por mais "proactividade para a mudança".

A pergunta que se impõe: Porquê tratar por igual aquilo que não é igual? 
A resposta: Porque vivem-se tempos do hipocritamente correcto, da demagogia "popularucha", dos ideais utópicos. 


As raparigas são diferentes dos rapazes. O feminino é diferente do masculino.
Se devem ter as mesmas oportunidades? Os mesmo direitos? O mesmo respeito? Inequivocamente, sim! Mas continuam a ser diferentes.


Aproveito para deixar a outras empresas e aos ideólogos do hipocritamente correcto algumas sugestões:

- Acabar com casas de banho diferenciadas nos locais de trabalho e públicos;

- Eliminar as secções de homem e mulher em todas as lojas de roupa, perfumarias e afins;

- Proibir qualquer referência ao género - masculino e/ou feminino - em toda a publicidade, principalmente na de artigos de higiene íntima;

- Não separar os brinquedos nas lojas por género, tipo, material ou outro qualquer sinal distintivo;

- Eliminar a menção ao sexo no Cartão de Cidadão e nos demais documentos oficiais;

- Proibir qualquer pergunta em questionários oficiais sobre o sexo e/ou género;

- Proibir o slogan «É p'ró menino e p'rá menina. Há fruta ó chocolate».

Todas estas sugestões, obviamente, apenas visam a eliminação de "uma atitude discriminatória que reforça os estereótipos de género" e fomentar uma atitude que não esteja "involuntariamente a influenciar a escolha e variedade" dos cidadãos e clientes. Só assim teremos uma sociedade mais justa, mais igualitária.

Como se costuma dizer: Haja paciência!!!

E claro, três vivas ao hipocritamente correcto!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

RESTAURANTES, IVA, PVP E CLIENTES

Baixar a taxa de IVA na restauração é uma falácia.

Diz-se que é uma reivindicação dos representantes do sector da restauração e hotelaria. Vamos admitir que assim é. Mas será uma reivindicação com sentido?

O IVA não é pago pelos empresários do sector. É pago pelos clientes! 

Os empresários / comerciantes da restauração só o entregam ao estado. Funcionam como uma espécie de “fiéis depositários” ou de “intermediários” do valor pago pelo cliente. É certo que entra na contabilidade do «deve / haver» do IVA, com os abatimentos das aquisições que efectuaram. Mas, em bom rigor, quando uma pessoa paga uma refeição de 12,30€, apenas 10,00€ pertencem ao empresário. Os restantes 2,30€ são do estado.

Num cenário perfeito, o empresário / comerciante chegaria ao fim do dia ou da semana, apuraria o valor de caixa, o IVA correspondente, e colocaria essa verba numa conta à parte, especificamente para o IVA.

O que acontece na maioria dos casos? O empresário / comerciante usa o valor do IVA como uma espécie de empréstimo de tesouraria (sem juros) a 30 ou 90 dias. O senão é que, muitas das vezes, quando chega a altura de acertar o IVA com o fisco, a verba proveniente do IVA - que os clientes pagaram - já foi usada para fazer face a outras despesas correntes.
 

Noutra perspectiva, quando há alterações de IVA neste sector económico, RARAMENTE, são repercutidos nos PVP; Sejam aumentos, sejam baixas. Os acertos são pontuais e opta-se por outro tipo de estratégias, como por exemplo, diminuir as quantidades.
Isto significa que o consumidor final acaba por pagar os mesmos 12,30€ pela refeição (usando o exemplo anterior). Mesmo que haja acerto, é sempre o cliente que suporta essa variação, nunca o empresário / comerciante.

E será por existir uma taxa de IVA de 23% na restauração que as pessoas deixaram de ir a restaurantes? Não!
As pessoas deixaram de ir a restaurantes, como deixaram de ir ao cinema, de passear ou de consumir determinados bens. A perda de poder de compra levou a uma supressão generalizada nos hábitos de consumo dos portugueses. O sector da restauração sofreu o mesmo que outros tantos.

Não deixa de ser verdade que existem empresários / comerciantes do sector que quando houve a subida da taxa para 23% mantiveram os PVP bem como a oferta de produtos. Estes casos suportaram o aumento do IVA, não o imputando ao cliente. A opção de gestão que tiveram foi retirar uma parte da sua margem de lucro para não prejudicar o cliente.

Na prática, e usando a refeição de 12,30€ com exemplo, vejamos o que aconteceu:

Quando o IVA era a 13% :

Custo da refeição sem IVA - 10,88€ (inclui custos e margem de lucro)
IVA (pago pelo cliente) - 1,42

Quando passou para 23%:
Custo da refeição sem IVA - 10,00€ (perdeu 0,88€ na margem de lucro)
IVA (pago pelo cliente) - 2,30€ (o cliente paga mais 0,88€ referente a IVA, mas o mesmo PVP)

Agora parece que iremos ter o inverso (lá para Julho). O que se vai passar? O cliente continua a pagar os mesmos 12,30€ de PVP e o empresário fica com mais 0,88€ de lucro. O estado, por um lado, verá parte da sua receita diminuída, mas também reembolsa menos por altura de IRS (os 15% em sede de IRS serão sobre um valor mais baixo).

Haverá quem veja de outra forma? Claro que sim! Por isso é que não gostamos todos de amarelo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

LIÇÕES DE POLÍTICA PORTUGUESA

O que aprendi nos últimos meses com a política portuguesa?

Aprendi que não interessa qual o partido ou coligação mais votada. Tudo se resume (dentro da legalidade) aos acordos parlamentares pós-eleitorais;

Aprendi que não é fundamental os partidos enunciarem qual o representante que se apresenta como pretendente a primeiro-ministro. O que conta é a solução emanada dos ditos acordos parlamentares pós-eleitorais;

Aprendi que as matérias urgentes a discutir em início de legislatura são todas aquelas que o anterior governo não aprovou (não vou discutir a sua importância ou manifestar a minha opinião sobre elas);

Aprendi que o importante é recusar qualquer tentativa de orçamento, independente do que ele contém. O que deve ser analisado é quem o elaborou;

Aprendi que alguém que tenha muita exposição mediática não deve concorrer a actos eleitorais. É considerado “batota” e “desonestidade”. Todos devem ter no seu passado o mesmo “tempo de antena”;

Aprendi que afinal não gastar fortunas em campanhas não é justo. O que se quer é muitos outdoors, flyers, canetas, t-shirts e sacos de plástico;

Aprendi que mulheres com “caras engraçadas” e com discurso fluido não podem ser candidatas, pois não estão de acordo com a linha cinzenta e decrépita que deve ser mantida por todos os candidatos;

Aprendi que devemos manifestar e bradar a independência face aos (terríveis e nefastos) partidos políticos. Mas se obtivermos resultados catastróficos, devemos culpar os (terríveis e nefastos) partidos que não nos deram apoio nem serventia;

Aprendi que concorrer a eleições isoladamente ou em coligação pouco interessa. Para determinar vitórias em eleições, a soma das partes é SEMPRE maior que a maioria simples que os votantes escolheram;

Aprendi que qualquer um (partido, pessoa, coligação) que seja repetente em eleições só pode ser considerado vencedor se obtiver mais votos que da última vez que concorreu;

Aprendi que é fundamental para um candidato opinar sobre tudo e sobre nada. Cingir o seu discurso às matérias das competências do cargo a que se candidata é fugir ao confronto, é não ter opinião;

Aprendi que as pessoas não têm o direito de mudar e/ou evoluir nas suas opiniões. Alguém que, por exemplo, aos 16 anos de idade tenha afirmado que é contra algo (nem interessa o quê), deve manter essa posição até ser octogenário (no mínimo) e, se possível, punido eleitoralmente por essa mesma posição;

Aprendi que quando as condições climáticas não interferem nos actos eleitorais, dever-se-á, rapidamente, encontrar outros motivos divinos ou naturais que possam justificar a ausência de eleitores;

Aprendi que a abstenção são os insatisfeitos com os anteriores titulares dos cargos agora sujeitos a sufrágio. Nada tem a ver com o completo desinteresse pela política nacional, ou por falta de atitude cívica. O “povo” nunca é culpado... É uma espécie de «o cliente tem sempre razão»;

Aprendi que a política portuguesa, neste momento, resume-se a esquerda e direita (seja lá isso o que for...), na senda do «ou estás comigo, ou estás contra mim»;

Muitas coisas que aprendi e que continuarei a aprender com a política portuguesa. Isso é mau? Claro que não!
Se andar por cá mais alguns (muitos, já agora) anos, espero continuar a aprender coisas novas todos os dias. 

Nada deve ser imutável , muito menos a política, os políticos e a forma como cada um de nós vê o mundo que nos rodeia.

Mudarmos de opinião e de hábitos é sinal que estamos vivos, que pensamos, que nos preocupamos, que evoluímos, e neste caso da política, que temos capacidade crítica e que nos importamos com quem gere o nosso dia-a-dia.

Por isso, estas lições que retirei dos últimos meses políticos em terras lusitanas, com certeza, tornar-me-ão mais elucidado para um futuro próximo. Obrigado a todos os intervenientes nos vários processos eleitorais e afins!


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

PORQUE NEM TODOS PENSAMOS AMARELO OU GOSTAMOS DE SARDINHAS

Facto: No dia 4 de Outubro de 2015 houve eleições para a Assembleia da República (AR) que decorreram dentro da chamada "normalidade democrática".

Facto: A estas eleições concorreram diversos partidos e coligações de partidos.

Facto: Os resultados eleitorais, ou seja, a vontade dos eleitores, determinou como vencedor a coligação PàF, composta pelo PSD e CDS/PP.

Facto: Não obstante as eleições para a AR apenas permitirem que os eleitores escolham os deputados, é sabido que os líderes dos partidos e/ou coligações que se apresentam ao acto eleitoral, são implicitamente candidatos a primeiro-ministro (PM). Assim, e olhando para os resultados eleitorais, a escolha dos portugueses recaiu sobre Pedro Passos Coelho.

Facto: O Presidente da República (PR) agiu em conformidade com a Constituição da República Portuguesa (CRP) e com o normal procedimento democrático, indigitando o líder da lista mais votada nas eleições para PM.

Facto: A AR através dos deputados eleitos e as forças partidárias aí representadas, são livres de formar alianças, estabelecer acordos e demais formas de uniões políticas.

Facto: A Moção de Censura apresentada e aprovada pelas bancadas do PS, BE, PCP, PEV e PAN é legítima e dentro do quadro legal da CRP.

Facto: Nas eleições os eleitores não escolheram uma maioria de esquerda, pelo simples facto de esta não se ter apresentado a votos, enquanto maioria de esquerda, representada numa única coligação.

Facto: Dizer que "o povo escolheu uma maioria de esquerda para governar Portugal" (52,14%) é tão legítimo como dizer que o povo escolheu para governar Portugal a coligação PàF com o apoio parlamentar do Bloco de Esquerda e CDU (56,8%). É especulação e desonestidade intelectual. Ninguém consegue, em rigor, interpretar o sentido e a vontade de cada um dos votos numa determinada força partidária.

Facto: BE e PCP são na sua génese, partidos de forte carga ideológica, partidos de protesto, partidos de permanente bloqueio ao poder instituído. Fazerem parte de um governo coligados com uma força partidária não assumidamente de esquerda (PS), seria contranatura, e de certa forma, o caminho para a sua extinção.

O provável governo de António Costa não é de esquerda. É um governo do PS que passa com o apoio parlamentar do próprio PS e das forças políticas à sua esquerda. Também não é um governo de esquerda porque (segundo o que se conhece) não há lugares governativos para o BE, PCP e PEV, os únicos partidos(com representação na AR) que são assumidamente de esquerda.
 
Este provável governo de António Costa será igual, no plano ideológico, ao de António Guterres ou de José Sócrates, apenas com a diferença que não foi legitimado nas urnas, mas sim num acordo parlamentar pós-eleitoral, num exercício estóico de sobrevivência política, usando a ideologia de esquerda como trampolim para o conseguir.

Facto: Em momento algum antes das eleições o PS ou o seu líder, António Costa, mostrou qualquer sinal de estar disponível para liderar um governo suportado por um acordo (parlamentar ou de outra espécie) com o BE e/ou CDU. Bem pelo contrário, apelou à maioria absoluta do PS para ter condições de governar.

Facto: BE e CDU não almejam, nem lhes agrada António Costa como PM. BE e CDU apenas desejavam a saída da PàF do governo, ou nas palavras dos próprios "acabar com o governo de direita".

Facto: António Costa foi derrotado eleitoralmente nas eleições de 4 de Outubro. Assim não fosse e não necessitava dos partidos à esquerda para chegar a PM. António Costa seduziu BE e CDU com as expressões "maioria de esquerda" e "governo de esquerda" de forma a poder sobreviver politicamente ao mau resultado eleitoral que obteve.
 
O objectivo desta troika de esquerda não é governar. O objectivo foi afastar a direita do governo. Governar é acessório e virá com o tempo. Pode correr bem ou mal, mas neste momento não é o mais importante para esta troika. Serão (do que está anunciado) três acordos entre quatro forças partidárias, para irem sendo geridos conforme a agenda política de cada um.
 
O PS, objectivamente, ficou na pior posição; na de refém. O PS vendeu todo o seu capital político aos caprichos e vontades de Catarina Martins e de Jerónimo de Sousa. O PS não conseguirá governar sem satisfazer algumas bizarrias de BE e CDU. Resta-lhe esperar que em momentos difíceis PSD e CDS/PP possam aprovar ou deixar passar certas medidas.
 
O PCP e CGTP nunca irão deixar cair a sua essência: o protesto permanente. PCP e CGTP nunca irão estar preocupados com a estabilidade governativa. Irão gerir a suas próprias agendas políticas e esperar que o governo se adapte a elas.

Facto: PSD e CDS/PP irão passar à oposição.

Em suma, todo este cenário político desde o dia 4 de Outubro tem tanto de legítimo e legal, como de politica e moralmente abusivo e falso. Não se garante nenhuma estabilidade. Apenas criou-se uma maioria parlamentar que suporta a queda de um governo e a aprovação de outro. Pelo que já é (pouco) conhecido e divulgado do acordo da nova troika, não há certezas para além do primeiro orçamento do estado, não há compromissos de reformas do estado, não há uma ideia sólida de qual o rumo que querem para Portugal. São apenas medidas avulso para satisfazer momentaneamente as forças partidárias envolvidas. Se eram garantias de estabilidade que se pretendia, então ficámos pior.
 
Prevê-se um ano de 2016 politicamente quente e activo. Com a chegada de um novo inquilino(a) à presidência da república, mais a incerteza aumenta.
 
Que tudo o que de bom e de mau venha desta solução e cenário político, não se ponha em causa um futuro, a médio e longo prazo, de maior estabilidade económica e social em Portugal e dos portugueses. 
Resta-nos esperar e acompanhar as cenas dos próximos capítulos, porque quanto à nossa participação já foi feita no dia 4 de Outubro e só voltamos a participar (em teoria) daqui a 4 anos.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A TRAMA DOS 3 SEGREDOS DE ÉVORA

1. A verdade dos factos nem sempre corresponde à verdade jurídica. Uma das peculiaridades da justiça e do direito, seja onde for, é que a admissibilidade e validade de provas em tribunal nem sempre ajuda a determinar o apuramento da verdade.
Como exemplo singelo: em certas ordens jurídicas, um cidadão comum filma, da janela da sua casa, um furto de uma viatura e essa filmagem é válida como prova; noutras, a mesma filmagem é considerada abusiva e ilegal, não servindo de prova em tribunal e o “cineasta” ainda se arrisca a indemnizar o assaltante por violação de privacidade.
 
2. « Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.» Este princípio constitucional é isso mesmo: um princípio! E os princípios têm variantes e condicionantes. Não defendo excepções no tratamento de alguém perante a justiça pelo seu nome ou cargo que desempenha(ou) na sociedade. No entanto, seis meses de prisão preventiva sem uma acusação formalizada não abona em prol da justiça. E quer queiramos ou não, a acusação a um ex-primeiro-ministro (a existir), independente da nossa simpatia pela pessoa, deve primar pela celeridade e transparência. Em abono da justiça, pela defesa do regime.
 
3. O egocentrismo que o ex-primeiro-ministro tem revelado, além de exacerbado, começa a mostrar laivos de demência. Considerar-se um preso político, sugerir que a sua detenção é uma cabala que visa evitar a vitória eleitoral do seu partido, entre outras deambulações conspiratórias, confirmam a sua postura arrogante e sobranceira. Tudo não passa de uma estratégia para desacreditar a acusação, mas já atingiu níveis que roçam o ridículo e o desrespeito pelas instituições jurídicas.
 
Assim, a acusação está presa ao 1º segredo, não conseguindo dar resposta ao 2º, e o ex-primeiro-ministro foca-se no 3º segredo sabendo da existência dos outros dois.
 
Uma trama que adensa-se e não contribui em nada para a confiança e prestígio da justiça, da democracia e do país.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

PARABÉNS PORTUGAL

Ainda ontem, em conversa social, apelidei Portugal de «Um paraíso dentro dos países chamados desenvolvidos». Assim considero estes 92 mil km2. Tem defeitos e virtudes. Os que por cá andam também. Se assim não fosse, não teria piada.
Mas isso não me impede de ter orgulho em ser português, não me impede de ter orgulho em Portugal.
 
Se gostava que fosse diferente? Sim, em algumas coisas gostava.  
Considero que ainda temos um caminho a percorrer para o aperfeiçoamento de Portugal, dos portugueses. Mas a busca da perfeição tem tanto de utópico, como de "sine qua non" da condição humana. Façamos o nosso caminho, de forma cívica e respeitosa para com os 872 anos de história.
 
Não nos esqueçamos de que vivemos, actualmente, uma etapa de apenas 41 anos, dentro dos quase nove séculos de história. Um etapa onde as mudanças foram muitas, em que o mundo muda a uma velocidade como a História ainda não conhecia. Temos que aprender a adaptar-nos, sem esquecer o nosso passado e os nossos valores. Temos de pensar mais no futuro, planear o longo prazo, mas sem descurar o presente. Devemos identificar, assumir e emendar os erros do passado, sempre com um espírito construtivo e não de culpabilização da inércia do presente.
 
Que Portugal e os portugueses sejam cada vez mais pró-activos e menos reactivos.
 
Que Portugal e os portugueses sejam felizes.
 
PARABÉNS PORTUGAL!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O BULLYING DO ACORDO ORTOGRÁFICO

O (Des)Acordo Ortográfico (AO)

Independentemente de concordar ou não com as razões do acordo ortográfico em vigor ou com as alterações produzidas, acho ridículo, e de certa forma irónico, a proliferação de contra-informação e informação errónea que circula nas redes sociais, blogs, Internet em geral, e alguma comunicação social, sobre o dito AO.

De facto, o facto continua facto, e a chalaça «de fato, o fato é um fato» apenas demonstra que, mais do que querer saber, uma boa parte das pessoas apenas quer estar contra, mostrar-se indignada, juntar-se às trends em voga na Internet, ou amealhar mais uns quantos “likes” ao seu pecúlio egocêntrico, com laivos de sofomania.

Também o cágado há-de continuar descansado, que não vai ficar cagado.

NOTA: Não sei se escrevi de acordo com o acordo acordado ou de acordo com acordo caducado que pode vir ainda a ser o acordo acordado.

O Bullying

Existe, sempre existiu, e dificilmente deixará de existir. É uma realidade triste e preocupante, mas uma realidade.

O recente caso da Figueira da Foz apenas fez emergir (novamente) o que muitos (aparentemente) desconheciam, o que me causa alguma estranheza. 
Este é um momento «memofante». Em 2011 (apenas há 4 anos) também veio a público o caso ocorrido no CC Colombo, e ao que parece, a maioria das pessoas já o tinha apagado do seu hipocampo.

Terá sido este episódio da Figueira da Foz um caso extremo? Não me parece.
Considero que é mais um, entre muitos, que se passam (infelizmente) diariamente por todo o mundo
O que se passou é que foi divulgado pela Internet e pelas redes sociais, tendo ganho ainda mais destaque quando a comunicação social “pegou” no tema.

É um dos lados positivos da exposição na Internet; a consciencialização generalizada de determinados factos.

Por outro lado, tenho lido alguns comentários, nas mesmas redes sociais e Internet em geral, de algumas mães e pais que arrolam princípios de boa educação, comportamentos cívicos, distribuindo culpas por todos os lados, assumindo o papel de imaculados no processo educativo dos seus filhos, mas cumulativamente bradejando promessas de que, se fosse com eles, resolveriam estas situações com comportamentos ainda mais selváticos do que os praticados pelos jovens energúmenos da Figueira da Foz. Irónico? Não, apenas a condição humana a falar.

Ter-se-ão esquecido estes pais e mães da sua juventude? Viveram em redomas opacas da realidade até agora? Ou será que vale tudo quando não se é apanhado ou filmado?

Uma dica a todos estes arautos dos bons costumes: transformem-se em moscas e acompanhem 24 horas, durante uma semana, os vossos rebentos. Talvez sejam surpreendidos, tal como foram os pais de uma das agressoras do caso citado.

A expressão «nunca digas que desta água não beberei» é sempre uma boa conselheira.