terça-feira, 27 de setembro de 2011

TOURADAS na CATALUNHA

A partir de Janeiro de 2012 são proibidas as touradas na região da Catalunha em Espanha.

Esta proibição, mais que tudo, é de cariz separatista e político.

Houve um aproveitamento político, onde a defesa dos interesses do lobby dos defensores dos animais, serviu de pretexto para mais um sinal de rompimento com a identidade nacional espanhola. E essa vontade separatista da Catalunha é quase tão antiga como a própria tourada.

Depois, há um rol de argumentos de um lado e de outro, como em qualquer assunto mundano, onde a razão estará no equilíbrio de ambos os lados. Tudo o resto são pontos de vista e interpretações próprias sejam de cariz histórico, cultural, zoológico e afins.
E estas são sempre com base na individualidade de cada um de nós.

No entanto, há um desses pontos de vista (Miguel Sousa Tavares) que eu partilho: 
A extinção total das corridas de morte e das touradas levará à extinção desta espécie de bois, pois a sua utilidade e criação visa apenas o espetáculo taurino. Se não existirem touradas, ninguém vai querer criar esta raça de bois. Defende-se os animais de uma forma que conduz à extinção da espécie.

Irónico não é?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

VI NO FACEBOOK, LOGO É VERDADE.

As redes sociais, para além de rede de contactos, meio de publicidade e de lazer (parte útil), também servem para o embrutecimento de alguns. 
A facilidade com que se propaga a mentira, o boato, a falsa informação, apoiada em inúmeros "gosto", contribui para o tirocínio da estupidificação de muitos, tornando a arte de pensar em coisa rara.
Mesmo à distância de um separador ou nova janela existe uma incapacidade generalizada de querer saber o mínimo, sobre o que se escreve ou partilha.
Assume-se essa publicação como um axioma e pronto!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

GOSTO DE FUTEBOL MAS NÃO PERCEBO MUITO DE FUTEBOL.





Gosto de futebol. Sempre gostei de futebol.
O primeiro bom futebol que me lembro foi o do Sporting (talvez por ser o meu clube) com o Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão. Tinha 9 ou 10 anos.
Mas rapidamente vi que futebol a sério era muito mais que isso. Aprendi a distinguir o GRANDE futebol do bom futebol, com a selecção do Brasil do mundial de 1982 - Sócrates, Zico, Cerezo, Éder, Falcão, Júnior, Luisinho, entre outros.
Depois fiquei mais selectivo.
Vi grande futebol no Barcelona de Romário, Stoichkov. Laudrup, Guardiola, Koeman e companhia; 
no Milão de Van Basten, Gullit, Rijkaard, Baresi, Donadoni e companhia; 
no Manchester United de Cole, Keane, Cantona, Schmeichel e companhia; 
no actual Barcelona de Xavi, Messi, Puyol, Villa e companhia;
e, claro, vi GRANDE futebol nos pés de Maradona.


E vou vendo bom futebol, em muitas equipas, de vez em quando. Até (e perdoem-me os sportinguistas mais fanáticos) no Benfica desta quarta-feira.

Quanto a perceber de futebol é outra coisa. Sou um adepto com pretensões a treinador de bancada, cujas opiniões ora diferem da maioria e da imprensa especializada, ora alinham com a maioria e com a imprensa especializada. Mas não deixa de ser a minha opinião: a opinião de quem gosta de futebol.

É por isso que não consigo entender algumas coisas no meu Sporting.
Se o ano passado foi um dos piores da história centenária do clube, quer pelos resultados, quer pelas exibições, porque é que este ano, com 14 reforços, nova direcção, nova equipa médica, novo departamento de futebol, nova equipa técnica se entra para um jogo decisivo para a continuação na Liga Europa com 8 (oito) jogadores titulares dos desaires do ano passado, 1 (um) jogador recuperado (felizmente não participou muito na miséria de 2010/2011) e apenas 2 (dois) reforços?

Com excepção de João Pereira (o menos mau em atitude e qualidade do ano passado) e Rui Patrício (nem aquece, nem arrefece) todos os outros mantêm a apatia, a falta de criatividade, a falta de esforço, a oscilação entre o mediano e o medíocre que caracterizou o Sporting do ano passado. Além da continuidade da esperança em Djaló que já se prolonga há cinco anos... mas apenas esperança.

Hoje vi um reforço muito acima da média e que levou (literalmente) o Sporing às costas - Capel;
vi um recuperado a querer ser o patrão da equipa e apenas o excesso de individualismo (fruto da falta de opções) o prejudicou - Izmailov;
vi um Schars que raramente falha um passe, mas não tem a quem passar (excepto Capel);
vi um Bojinov a impor respeito aos centrais, fixando-os cada vez mais atrás e a assitir para o primeiro golo;
vi um Rinauldo a pôr ordem no meio-campo defensivo que tremia cada vez mais com o decorrer do tempo;

Não sei se estes e outros reforços serão o futuro do Sporting ou se terão sucesso. Sei que a atitude deles é diferente. Pensam mais futebol. Erram menos. São mais regulares. Mostram mais qualidade e criatividade. Ajudam a equipa a render mais. Não poderão jogar todos, mas se forem a maioria talvez os do passado alterem a postura para melhor.

Mas não percebo muito de futebol. Domingos pode até ser um bom treinador. Eu até aprecio. Mas não é Mourinho, Fergunson, Trapattoni ou Wenger para conseguir o milagre de pegar numa equipa viciada, desmoralizada, com tiques derrotistas e transformar de um dia para o outro em jogadores positivos, organizados e criativos. E o tempo urge. Por isso defendo que a integração dos reforços, o mais rapidamente possível, é urgente. Daqui a 3/4 semanas pode já ser tarde. Neste momento são 4 pontos.

Mas tudo isto é apenas a minha opinião, que não percebo muito de futebol, mas GOSTO MUITO de futebol.

domingo, 21 de agosto de 2011

AUSÊNCIA DO ÁRBITRO

Proponho que a polícia deixe de patrulhar ruas quando recebem críticas dos cidadãos;
Que os governantes deixem de governar quando são criticados;
Que os professores deixem de ensinar quando são acusados de facilitar;
Que os médicos deixem de assistir os doentes quando alguém se queixa de negligência...
Etc, etc, etc, etc

O corporativismo dos árbitros e dos órgãos dirigentes associados ao futebol é um exemplo de falta de brio, de responsabilidade e uma atitude infantil, típica de uma birra de crianças na puberdade.

Uma vergonha, quando não são capazes de fazer mea culpa dos seus próprios erros e, em alguns casos, da sua incompetência.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O PASSE SOCIAL

Um deputado do PCP defendeu hoje no parlamento que o passe social é um incentivo à mobilidade dos cidadãos para o trabalho, mas também para a cultura e lazer.

Na prática, o deputado em causa acha que o estado (ou seja, todos nós) deve subsidiar indiscriminadamente todos os cidadãos no acesso aos transportes públicos, independentemente da condição financeira ou o uso que lhe é dado.
Terá o estado a obrigação de contribuir para as deslocações de lazer e cultura de cada um de nós?

Na prática, o deputado em causa defende que o estado deve subsidiar o "meu" transporte para que eu tenha disponível cinco euros para pagar por uma bifana e uma cerveja mais 30 euros do bilhete do futebol. Ou que a poupança conseguida com o passe social possa dar para o bilhete de três dias do festival de música, pela módica quantia de 90 euros.

Promover o uso dos transportes públicos é correcto, mas não pode o estado subsidiar tudo e todos, para tudo e mais alguma coisa.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ELEIÇÕES - O DIA SEGUINTE (PARTE I)

Os portugueses já votaram e os resultados já são conhecidos. Durante estes dias, antes dos comentários e “apostas” sobre o  novo elenco governativo, empolam-se  vitórias, atenuam-se derrotas, justifica-se o injustificável, deturpam-se números, enfim, o habitual.
Entre dirigentes partidários, jornalistas, comentadores ou cidadãos anónimos, muito se diz e, cada um é livre de expressar a sua opinião, por muito que possamos discordar ou mesmo que seja meramente uma opinião desprovida de qualquer facto real que a suporte.

Por isso, aqui vai mais uma...

O primeiro resultado conhecido foi o da abstenção. É preocupante os níveis de abstenção que Portugal tem registado nas várias eleições ou referendos. Pior, a tendência é para um aumento de não participação no ato democrático por excelência: votar.

A justificação de que o povo não se revê nos actuais partidos políticos não pode servir de desculpa para a abstenção. A possibilidade de votar em branco é a  forma democrática (uma das) de manifestar o desagrado para com os partidos, movimentos ou candidaturas apresentadas a sufrágio. Não refiro os votos nulos, pois nesses estão incluídos os votos de protesto e os que tecnicamente estão mal expressos. Os perto de 150.000 votos em branco destas eleições legislativas significam, que os descontentes com o atual cenário partidário português, são a sexta "força política portuguesa”.

Os cerca de 3.800.000 não votantes significam várias coisas:

- Que claramente existem erros de recenseamento, havendo quem aponte cerca de 1.000.000 de eleitores (mais de 10% do total de inscritos), o que é lamentável face aos meios tecnológicos existentes ou aos quase 40 anos de democracia em Portugal ;

- Que a cultura democrática em Portugal, muita das vezes e para muitos, se resume a exigir melhores estradas, maiores salários, menos impostos, mais cuidados de saúde, mais direitos, etc. Para estes, a participação na vida cívica e política resume-se a zero. Alegam que todos são corruptos, incompetentes e outras qualidades que o decoro me impede de escrever, mas também nada fazendo para mudar essa (sua) realidade;

- Que a praia (no caso deste  e de outros domingos), que o desconforto da chuva, que a matiné televisiva ou o almoço prolongado na casa dos amigos é bem mais importante que escolher os seus representantes no parlamento e, consequentemente, o líder do governo do seu país. Ou seja, o bem estar individual estará sempre à frente do bem comum para estes recenseados;

- Que poderão haver alguns que discordam do sistema político vigente, sendo adeptos de outras formas de regime, como sejam o totalitarismo ou o autoritarismo, em detrimento da democracia, pelo que não querem participar na vida pública do seu país.

E finalmente, que há uma minoria que efectivamente não pôde participar no ato eleitoral, seja por motivos profissionais, de saúde, familiares ou mesmo férias fora do local de residência. Estes são os abstencionistas por razões de força maior.

Recordo que além de um direito, o voto é também um dever consagrado na lei fundamental – a Constituição da República Portuguesa. Cabe a cada um tirar as ilações que entender.

Quantos aos resultados dos partidos há claramente vencedores e vencidos.

O primeiro destaque vai para o PS e para o seu secretário-geral, José Sócrates.

O PS de José Sócrates apenas consegue cerca de 1.500.000 de votos, que lhe confere um 4º lugar no top dos piores resultados para a segunda força partidária, desde o 25 de Abril, sempre que a terceira força partidária obteve menos de 1.000.000 de votos.
(Ano – 2ª força política – número de votos)
1987 – PS – 1.260.000
 (altura da primeira maioria absoluta do PSD de Cavaco Silva)
1976 – PPD – 1.350.000
1975 – PPD – 1.500.000
2011 – PS – 1.550.000

Mesmo se tivermos em conta as quatro eleições onde a terceira força partidária obteve mais de 1.000.000 de votos, o cenário desta derrota do PS de José Socrátes não melhora.
  
(Ano – 2ª força política – número de votos / 3ª força política – número de votos)
1985 – PS – 1.200.000 / PRD - 1.000.000
1983 – PSD – 1.550.00 / APU – 1.000.000
1980 – FRS – 1.600.000 / APU – 1.000.000
1979 – PS – 1.650.000 / APU – 1.100.000

Acresce a esta derrota inequívoca, o facto de que este PS vinha de uma governação de seis anos. Nem o PS de 1987, nem o PPD de 1975 e 1976 tinham sido governo.

Pouco mais se poderá dizer sobre a derrota do PS e de José Sócrates. Os números falam por si e representam a opinião dos portugueses.
José Sócrates também percebeu isso e demitiu-se. Nada a apontar.

Outra das forças partidárias vencidas foi o B.E..

A mensagem de Louçã esgotou-se e a falta de credibilidade das suas propostas, face à realidade, levou ao afastamento do eleitorado do B.E.. Além disso, quando Francisco Louçã chegou a deixar no ar a remota possibilidade de viabilizar um governo com o PS (em caso de vitória do PS), é certo que muitos dos eleitores voláteis que participaram na grande votação do B.E. em 2009 não viram com agrado essa hipótese; se por desilusão ou se por medo, só eles o saberão.

O certo é que o B.E. vale neste momento o que vale Francisco Louçã – cerca de 290.000 votos. Aliás, esta foi a sua votação aquando das presidenciais de 2006. Os cerca de 365.000 votos de 2005 e 560.000 de 2009 já são passado para o B.E.. Resta saber se as diversas tendências  continuarão a entenderem-se. Numa agregação como o B.E. será sempre difícil haver penalizações políticas a nível interno. Louçã, defende-se como coordenador do Bloco e não como líder partidário, pelo que não se deve demitir. Também não creio que os que seguem a tendência do PSR queiram a sua demissão, sob pena de voltarem ao esquecimento total por parte do eleitorado. Será que Luís Fazenda e Miguel Portas continuarão a segurar Louçã?

Em suma, o B.E. perdeu quase metade dos seus eleitores (270.000), metade dos seus deputados e voltou a ser a quinta força partidária.
O que poderá mais perder, o tempo dirá.

domingo, 5 de junho de 2011

A queda do Bloco de (L)E(STE)squerda

A disponibilidade que Francisco Louçã chegou a mostrar para governar com o PS, para evitar um governo de direita, foi o grande impulso para a queda do BE.

domingo, 29 de maio de 2011

TABUS DE CAMPANHA


Antes do início da campanha eleitoral já se sabia qual o futuro programa de governo – o do FMI. Sabíamos que, infelizmente, haveria troca de acusações fúteis que em nada contribuem para o esclarecimento dos portugueses sobre o futuro de Portugal. E tudo isto se confirmou da pior forma.

Temos assistido a discursos “papistas” sobre o estado social, a discussões sobre se o chamado acordo com a troika foi assinado na versão em inglês ou português, se o próximo governo dever ter 10 ou mais ministérios, se vai haver ou não novo referendo sobre a IVG, etc...
Sobre temas que possam dar sinais sobre o futuro de Portugal, quase nada.

Mas de entre os muitos compromissos assumidos pelo estado português e o FMI, há, pelo menos, dois que parecem ser perfeitos tabus: A forma como se irá “apressar” a resolução de milhares de processos judiciais em atraso e a reforma político-administrativa do nosso território.
Autarcas e magistrados. Percebe-se o tabu.

Com ou sem FMI parece que todos os partidos já tomaram uma decisão: manter o corporativismo existente em alguns sectores da nossa sociedade.