segunda-feira, 6 de junho de 2011

ELEIÇÕES - O DIA SEGUINTE (PARTE I)

Os portugueses já votaram e os resultados já são conhecidos. Durante estes dias, antes dos comentários e “apostas” sobre o  novo elenco governativo, empolam-se  vitórias, atenuam-se derrotas, justifica-se o injustificável, deturpam-se números, enfim, o habitual.
Entre dirigentes partidários, jornalistas, comentadores ou cidadãos anónimos, muito se diz e, cada um é livre de expressar a sua opinião, por muito que possamos discordar ou mesmo que seja meramente uma opinião desprovida de qualquer facto real que a suporte.

Por isso, aqui vai mais uma...

O primeiro resultado conhecido foi o da abstenção. É preocupante os níveis de abstenção que Portugal tem registado nas várias eleições ou referendos. Pior, a tendência é para um aumento de não participação no ato democrático por excelência: votar.

A justificação de que o povo não se revê nos actuais partidos políticos não pode servir de desculpa para a abstenção. A possibilidade de votar em branco é a  forma democrática (uma das) de manifestar o desagrado para com os partidos, movimentos ou candidaturas apresentadas a sufrágio. Não refiro os votos nulos, pois nesses estão incluídos os votos de protesto e os que tecnicamente estão mal expressos. Os perto de 150.000 votos em branco destas eleições legislativas significam, que os descontentes com o atual cenário partidário português, são a sexta "força política portuguesa”.

Os cerca de 3.800.000 não votantes significam várias coisas:

- Que claramente existem erros de recenseamento, havendo quem aponte cerca de 1.000.000 de eleitores (mais de 10% do total de inscritos), o que é lamentável face aos meios tecnológicos existentes ou aos quase 40 anos de democracia em Portugal ;

- Que a cultura democrática em Portugal, muita das vezes e para muitos, se resume a exigir melhores estradas, maiores salários, menos impostos, mais cuidados de saúde, mais direitos, etc. Para estes, a participação na vida cívica e política resume-se a zero. Alegam que todos são corruptos, incompetentes e outras qualidades que o decoro me impede de escrever, mas também nada fazendo para mudar essa (sua) realidade;

- Que a praia (no caso deste  e de outros domingos), que o desconforto da chuva, que a matiné televisiva ou o almoço prolongado na casa dos amigos é bem mais importante que escolher os seus representantes no parlamento e, consequentemente, o líder do governo do seu país. Ou seja, o bem estar individual estará sempre à frente do bem comum para estes recenseados;

- Que poderão haver alguns que discordam do sistema político vigente, sendo adeptos de outras formas de regime, como sejam o totalitarismo ou o autoritarismo, em detrimento da democracia, pelo que não querem participar na vida pública do seu país.

E finalmente, que há uma minoria que efectivamente não pôde participar no ato eleitoral, seja por motivos profissionais, de saúde, familiares ou mesmo férias fora do local de residência. Estes são os abstencionistas por razões de força maior.

Recordo que além de um direito, o voto é também um dever consagrado na lei fundamental – a Constituição da República Portuguesa. Cabe a cada um tirar as ilações que entender.

Quantos aos resultados dos partidos há claramente vencedores e vencidos.

O primeiro destaque vai para o PS e para o seu secretário-geral, José Sócrates.

O PS de José Sócrates apenas consegue cerca de 1.500.000 de votos, que lhe confere um 4º lugar no top dos piores resultados para a segunda força partidária, desde o 25 de Abril, sempre que a terceira força partidária obteve menos de 1.000.000 de votos.
(Ano – 2ª força política – número de votos)
1987 – PS – 1.260.000
 (altura da primeira maioria absoluta do PSD de Cavaco Silva)
1976 – PPD – 1.350.000
1975 – PPD – 1.500.000
2011 – PS – 1.550.000

Mesmo se tivermos em conta as quatro eleições onde a terceira força partidária obteve mais de 1.000.000 de votos, o cenário desta derrota do PS de José Socrátes não melhora.
  
(Ano – 2ª força política – número de votos / 3ª força política – número de votos)
1985 – PS – 1.200.000 / PRD - 1.000.000
1983 – PSD – 1.550.00 / APU – 1.000.000
1980 – FRS – 1.600.000 / APU – 1.000.000
1979 – PS – 1.650.000 / APU – 1.100.000

Acresce a esta derrota inequívoca, o facto de que este PS vinha de uma governação de seis anos. Nem o PS de 1987, nem o PPD de 1975 e 1976 tinham sido governo.

Pouco mais se poderá dizer sobre a derrota do PS e de José Sócrates. Os números falam por si e representam a opinião dos portugueses.
José Sócrates também percebeu isso e demitiu-se. Nada a apontar.

Outra das forças partidárias vencidas foi o B.E..

A mensagem de Louçã esgotou-se e a falta de credibilidade das suas propostas, face à realidade, levou ao afastamento do eleitorado do B.E.. Além disso, quando Francisco Louçã chegou a deixar no ar a remota possibilidade de viabilizar um governo com o PS (em caso de vitória do PS), é certo que muitos dos eleitores voláteis que participaram na grande votação do B.E. em 2009 não viram com agrado essa hipótese; se por desilusão ou se por medo, só eles o saberão.

O certo é que o B.E. vale neste momento o que vale Francisco Louçã – cerca de 290.000 votos. Aliás, esta foi a sua votação aquando das presidenciais de 2006. Os cerca de 365.000 votos de 2005 e 560.000 de 2009 já são passado para o B.E.. Resta saber se as diversas tendências  continuarão a entenderem-se. Numa agregação como o B.E. será sempre difícil haver penalizações políticas a nível interno. Louçã, defende-se como coordenador do Bloco e não como líder partidário, pelo que não se deve demitir. Também não creio que os que seguem a tendência do PSR queiram a sua demissão, sob pena de voltarem ao esquecimento total por parte do eleitorado. Será que Luís Fazenda e Miguel Portas continuarão a segurar Louçã?

Em suma, o B.E. perdeu quase metade dos seus eleitores (270.000), metade dos seus deputados e voltou a ser a quinta força partidária.
O que poderá mais perder, o tempo dirá.

domingo, 5 de junho de 2011

A queda do Bloco de (L)E(STE)squerda

A disponibilidade que Francisco Louçã chegou a mostrar para governar com o PS, para evitar um governo de direita, foi o grande impulso para a queda do BE.

domingo, 29 de maio de 2011

TABUS DE CAMPANHA


Antes do início da campanha eleitoral já se sabia qual o futuro programa de governo – o do FMI. Sabíamos que, infelizmente, haveria troca de acusações fúteis que em nada contribuem para o esclarecimento dos portugueses sobre o futuro de Portugal. E tudo isto se confirmou da pior forma.

Temos assistido a discursos “papistas” sobre o estado social, a discussões sobre se o chamado acordo com a troika foi assinado na versão em inglês ou português, se o próximo governo dever ter 10 ou mais ministérios, se vai haver ou não novo referendo sobre a IVG, etc...
Sobre temas que possam dar sinais sobre o futuro de Portugal, quase nada.

Mas de entre os muitos compromissos assumidos pelo estado português e o FMI, há, pelo menos, dois que parecem ser perfeitos tabus: A forma como se irá “apressar” a resolução de milhares de processos judiciais em atraso e a reforma político-administrativa do nosso território.
Autarcas e magistrados. Percebe-se o tabu.

Com ou sem FMI parece que todos os partidos já tomaram uma decisão: manter o corporativismo existente em alguns sectores da nossa sociedade.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

EMAIL ABERTO aos SERVIÇOS DA CM VFX

O texto a seguir reproduzido foi o email enviado a vários serviços da Câmara Municipal e Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento de Vila Franca de Xira.
O episódio é verídico.

Exmos(as) Srs(as)



Venho desta forma relatar o seguinte episódio:



Hoje, sexta-feira 20 de Maio de 2011 quis efectuar a comunicação da leitura do meu consumo de água, através do número verde constante da factura –  800 200 610.


Antes de continuar, quero realçar o facto deste serviço ser de louvar, contribuindo para uma optimização de esforços entre os SMAS de Vila Franca de Xira e os seus clientes.

Poupa horas de trabalho aos funcionários que efectuam as leituras aos domicílios e permite um maior controlo sobre os gastos aos clientes (é só fazer cálculos depois de lido o consumo).



Mas prosseguindo no relato, às 19:30 do referido dia (dentro do horário indicado na factura para comunicações de leituras) liguei para o número verde e apenas obtive sinal idêntico à inexistência do número.



Estranhando o facto, resolvi tentar  obter informações junto dos serviços gerais dos SMAS através do número  263 200 600.



Fui atendido e ao expor a situação, responderam-me: “ O número verde está na hora de jantar”, ao que respondi: “Desculpe? Não percebi. Hora de jantar?”

Rapidamente desfizeram-me a dúvida: “Sim, hora de jantar. Só há uma telefonista e ela tem de jantar!”.



Face ao exposto, que apenas me recorda a rábula da guerra de 1908 interpretada pelo falecido Raúl Solnado, onde a guerra estava fechada, sugeria o seguinte:



Com todo o respeito pelo direito da(o) telefonista(o) em jantar, que colocassem o respectivo horário da refeição como informação adicional, para que os Vossos clientes não desperdicem o seu tempo em tentar utilizar um serviço que supostamente deveria estar activo e em permanência nos horários indicados.



Uma boa ideia sem a correcta aplicação torna-se num desastre de ideia.



Sem mais, com os meus melhores cumprimentos



João Carlos Martins

terça-feira, 10 de maio de 2011

QUEM DIZ O QUÊ.

A propósito de uma crónica de Ferreira Fernandes publicada no Diário de Notícias «« Primeiro contacto técnico do FMI »», em conversa com um conhecido meu, assumidamente de esquerda-centro (sim, porque é mais de esquerda do que do "centro"), dizia-lhe eu: 
"Este texto está muito bom. Retrata a nossa sociedade com uma boa dose de humor. O gajo (peço desculpa ao Ferreira Fernandes pelo termo) conseguiu uma grande crónica."
A resposta do meu conhecido esquerdista (raramente do centro) foi qualquer coisa como:
"Não consigo achar piada. Além disso é mais um bota-abaixo ao nosso povo. Diz mal da classe trabalhadora (o taxista, digo eu) e goza com os precários e desempregados (a filha do taxista, digo eu). Parece que somos todos ladrões e calões".
Face a tal argumentação, ainda insisti e perguntei:
"Mas não consegues ver a piada da coisa?.
O visado declarou-me um redondo e enorme:
"NÃO!"

Passado dois ou três dias, ironia do destino, fui parar ao perfil público do Miguel Portas no Facebook (sim, perfil público, pois não sou amigo do senhor). E qual não é o meu espanto quando vejo o seguinte post:

O espanto não foi pelo post publicado (apesar de não concordar com as suas ideias, reconheço valor, inteligência e bom senso ao Dr. Miguel Portas) mas sim pelo link que dá acesso ao "gosto" deste post (linguagem para utilizadores do facebook...modernices).
Adivinham quem fez um clique no "gosto" deste post? Claro, o meu conhecido esquerdista (raramente do centro). Garanto-vos que o riso foi apenas interior, mas foi com vontade. Ainda não voltei a encontrar o meu conhecido esquerdista (raramente do centro) e quando o fizer nem sei se lhe falarei em tal incoerência.

Posto este pequeno episódio apraz-me dizer o seguinte:
A maioria do povo português é igual ao meu conhecido esquerdista (raramente do centro); para eles o importante é quem diz e não o que se diz. Entra-se facilmente no rebanho e raramente se pensa para onde o rebanho os leva ou naquilo que lhes grita o pastor. E mesmo que haja uma raposa que os possa salvar, jamais irão com ela, pois nem sequer ouvem ou pensam no que ela lhes disse.

Talvez por isso, há alguns anos, alguém me disse: "Dificilmente chegarás longe na política. Pensas demasiado pela tua própria cabeça". 

E este pequeno episódio é recorrente no nosso quotidiano pessoal, profissional e social. É recorrente na classe política. É recorrente no nosso país. 
Talvez seja algo a corrigir por todos nós para podermos ter uma país mais sério, mais justo e mais desenvolvido.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O SISTEMA ELEITORAL - A COMUNICAÇÃO SOCIAL

Pelo nosso sistema eleitoral os cidadãos apenas elegem os deputados que se encontrem nas listas partidárias dos distritos onde cada um de nós vota.

Os círculos eleitorais são correspondentes aos distritos. Quando votamos num determinado partido, nas eleições legislativas, estamos apenas a escolher e a eleger deputados.

Escolhemos uma série de candidatos de um partido, contribuindo para o maior número de deputados desse partido e nesse círculo eleitoral.

Esta é a única escolha LEGAL e FORMAL que fazemos.

Por exemplo, se eu for eleitor no distrito de Leiria, a minha escolha deve ser feita perante os 10 nomes de cada partido. Como eleitor de Leiria (que não sou), não posso escolher entre Ferro Rodrigues, Fernando Nobre, Jerónimo de Sousa,  Teresa Caeiro, Francisco Louçã ou os demais candidatos das restantes forças partidárias.

Mas a escolha REAL que fazemos é de contribuir para o número total de deputados de um determinado partido (mas apenas com os do nosso círculo eleitoral/distrito), de forma a que esse partido obtenha o maior número de deputados eleitos, pois dessa forma, a figura que o partido em causa tiver apresentado ao eleitorado como sendo a escolha para primeiro-ministro, será convidado a formar governo, por parte do Exmo.Sr. Presidente da República (esse sim, eleito directamente).

Este "convite" mais não é que uma nomeação do presidente da república, após audição de todos os partidos que tenham eleito deputados, de um primeiro-ministro .
Nestes casos as escolhas ou são de índole partidária ou de acordo com a figura que os partidos apresentaram como "candidatos" a primeiro-ministro. Curioso é que esta figura nem tem necessidade de ser candidato a deputado. Isto é, o partido "PZX" poderia dizer ao eleitorado que o sr. Zacarias Fróis era a escolha para primeiro-ministro, caso o partido ganhe as eleições, e este (Zacarias Fróis) nem ser candidato a deputado.

Face a estas realidades, formal e real, não consigo entender o destaque que a comunicação social dá ao pseudo-combate entre Ferro Rodrigues e Fernando Nobre. Que eles combatam em nome do maior número de votos possível, proferindo um rol de disparates (na grande maioria das vezes), eu entendo; que haja troca de acusações entre todos os partidos pelas escolhas feitas para Lisboa, eu entendo; que ambos discursem como se fossem defender exclusivamente os interesses de Lisboa no parlamento, eu entendo; mas que a comunicação social alimente esta farsa, não consigo entender.

Escolher entre Ferro Rodrigues ou Fernando Nobre em Lisboa é o mesmo que escolher entre o Rui Paulo Figueiredo ou António Rodrigues, pois apenas um cenário MUITO improvável impediria a eleição de oito deputados pelo PS e PSD no círculo eleitoral de Lisboa.

E a comunicação social sabe disso! Insistem em desinformar, numa altura em que precisamos é de informação esclarecedora, precisa e que nos ajude a entender as linhas gerais que os vários líderes partidários defendem para a governação desta ocidental praia lusitana.

Já agora, poderiam os partidos políticos pensar seriamente e apresentar ao eleitorado um proposta de reformulação do nosso sistema eleitoral, pois o actual está desajustado com a realidade.

Por fim, apenas informar que
Rui Paulo Figueiredo e António Rodrigues são candidatos a deputados, em oitavo lugar das listas do PS e PSD, no distrito de Lisboa, e ambos, muito provavelmente, em breve, deputados desta nação.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A entrevista do PM demissionário.

Resumo da entrevista do PM demissionário:
 
- Desculpe, mas a pergunta está mal formulada;
- Desculpe, mas essa não é a questão que os portugueses querem saber;
- Desculpe, mas eu não quero discutir consigo essa matéria;
- Desculpe, mas antes de responder à sua pergunta tenho de dizer o seguinte;
- Desculpe, mas essa pergunta ofende-me;
- Desculpe, mas essa acusação é injusta;
- Desculpe, mas não me recordo nada disso.
 
A tolerância e a abertura a outros pontos de vista nunca foi o forte do Engº... Desculpe mas o senhor deu cabo do país!

segunda-feira, 28 de março de 2011

ESTE NÃO É O MEU SPORTING.

Quando se pensava que a conferência de Paulo Futre teria sido o ponto mais "alto" das eleições do Sporting, a noite eleitoral ainda reservou mais uns "dignificantes" episódios. Agora tudo ainda é possível. Vamos aguardar.
Conf.Imprensa de Paulo Futre